O que você deve saber

  • 1- QUAL A EFICÁCIA DA CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA PARA A PREVENÇÃO DE GRAVIDEZ? [+]
  • A pílula de emergência ou contracepção de emergência, também conhecida como “pílula do dia seguinte”, pode ser utilizada até cinco dias após a relação sexual desprotegida. Os contraceptivos de emergência com levonorgestrel, disponíveis no Brasil, apresentam eficácia de prevenção da gravidez de 59% a 95%. Se usados nas primeiras 24 horas, a sua eficácia aumenta. Por isso, quanto mais cedo for usado, maior será a segurança na prevenção da gravidez. Este contraceptivo não previne doenças sexualmente transmissíveis (DST) e AIDS e não funciona para as relações sexuais mantidas depois que for tomado (só protege das anteriores).
  • 2- A PÍLULA DE EMERGÊNCIA É ABORTIVA? [+]
  • A pílula de emergência não é abortiva, pois não interrompe uma gravidez estabelecida. Os vários estudos disponíveis atestam que ela atua impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo, seja inibindo a ovulação ou intervindo na migração dos espermatozoides, espessando o muco cervical ou alterando sua capacidade de locomoção. O mecanismo de ação é basicamente o mesmo dos outros métodos anticoncepcionais hormonais (pílulas e injetáveis).
  • 3- A CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA TEM ALTA DOSAGEM HORMONAL? É UMA “BOMBA HORMONAL”? [+]
  • Não. A pílula de emergência não é uma “bomba hormonal”. É considerada segura para a mulher, pois o tempo de tratamento é curto e a dose hormonal relativamente baixa.
  • 4- A CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA CAUSA EFEITOS COLATERAIS OU ADVERSOS? [+]
  • A pílula de emergência não causa efeitos secundários severos ou de longo prazo. Os sintomas mais relatados são náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor nos seios ou no abdômen durante um ou dois dias. Além disso, pode alterar o ciclo menstrual, atrasando ou adiantando a menstruação por alguns dias. Não há evidências de que a pílula de emergência produza malformações no feto se a mulher já estiver grávida.
  • 5- POSSO USAR A CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA REGULARMENTE? [+]
  • Não é recomendada a utilização regular, pois sua eficácia diminui com o uso repetido. É importante deixar claro que a pílula de emergência não é perigosa para a saúde da mulher.
  • 6- COMO POSSO CONSEGUIR A CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA? [+]
  • A pílula de emergência pode ser obtida gratuitamente nos serviços públicos de saúde. O “Protocolo para Utilização do Levonorgestrel”, lançado pelo Ministério da Saúde (2012), no âmbito da Rede Cegonha, torna mais ágil a dispensação de pílulas de emergência para usuárias do SUS. O medicamento pode ser dispensado pelo(a) enfermeiro(a), sem necessidade de prescrição médica. As pílulas de emergência também podem ser compradas nas farmácias e drogarias.
  • 7- QUANTO CUSTA A CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA? [+]
  • Em 2016, o preço médio da pílula de emergência no Brasil gira em torno de R$ 20,00, podendo variar entre R$ 10,00 e 25,00, para mais ou menos.
  • 8- A ADOLESCENTE PODE CONSEGUIR A PÍLULA DE EMERGÊNCIA SOZINHA, SEM A PRESENÇA DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS? [+]
  • Sim, nos serviços públicos a adolescente pode recorrer aos médicos ou enfermeiros e nas drogarias aos farmacêuticos ou balconistas. Adolescentes e jovens têm direito legal de obter informações e educação em sexualidade e saúde, além de acesso aos meios e métodos que auxiliem a evitar uma gravidez não planejada e a prevenir doenças sexualmente transmissíveis/HIV/AIDS, respeitando-se sua liberdade de escolha.
  • 9- E SE EU ME SENTIR CONSTRANGIDA AO SOLICITAR A PÍLULA DE EMERGÊNCIA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE OU AO COMPRÁ-LA NAS DROGARIAS? [+]
  • Lembre-se de que o planejamento reprodutivo é um direito assegurado na Constituição Federal e na LEI n° 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regulamenta o planejamento familiar no país e deve ser garantido pelo Estado, o que significa a livre decisão sobre ter ou não ter filhos. O profissional de saúde ou de farmácia poderá ser um importante mediador deste direito. Procure o farmacêutico, converse e esclareça suas dúvidas.
  • 10- O QUE EU, FARMACÊUTICO OU BALCONISTA, POSSO FAZER PARA AJUDAR A CONSUMIDORA DA PÍLULA DE EMERGÊNCIA? [+]
  • Farmacêuticos e balconistas estão muito próximos aos cidadãos. Farmácias e drogarias estão abertas, muitas vezes 24 horas por dia, prestando serviços essenciais, como disponibilização de informações, aconselhamento e dispensa de medicamentos e produtos de saúde. É também no domínio da sexualidade e da saúde reprodutiva que os profissionais podem colocar a serviço do cidadão suas competências técnicas, contribuindo para a utilização correta, segura e eficaz dos medicamentos ou métodos contraceptivos. A intervenção farmacêutica sobre a pílula de emergência poderá ocorrer nas seguintes situações cotidianas:
    - No relato de relação sexual não protegida ou em que houve falha do método contraceptivo.
    - Na solicitação da contracepção de emergência sem prescrição médica.
    - Na solicitação da contracepção de emergência com prescrição médica.

O esclarecimento de dúvidas e as informações sobre posologia e outros métodos anticonceptivos hormonais disponíveis sempre ajudam a consumidora. Mulheres adultas, jovens ou adolescentes que solicitam a pílula de emergência podem se apresentar inseguras e não desejar orientação farmacêutica, mas se a orientação for possível é importante que aconteça de forma objetiva e isenta de juízos de valor. A ética farmacêutica do acolhimento solidário e do bem atender é premissa fundamental perante o público consumidor.

Fontes

Além dos documentos do Ministério da Saúde, consultamos também:

DREZETT, J. Contracepção de emergência: normativas, usos, mitos e estigmas. In: ARILHA, M; LAPA, T. S; PISANESCHI, T. C. Contracepção de emergência no Brasil e América Latina: dinâmicas políticas e direitos sexuais e reprodutivos. São Paulo: Oficina Editorial, 2010. p. 63-90.

Apresentação do Dr. J. Drezett no Seminário da Comissão de Cidadania e Reprodução, em 2009

Pílulas Anticoncepcionais de Emergência. Orientações médicas e de prestação de serviços, 2015.

LEUNG, V.W.Y.; SOON, J.A.; LEVINE, M. Mechanisms of action of hormonal emergency contraceptives: a literature review. Pharmacotherapy, v. 30, n. 2, p. 158-168, 2010.



Última atualização em 04/04/2016
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